Reconstruir exige inteligência: o que aprendemos com sistemas multiagentes na modernização de legados
Mirante Tecnologia
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Na Mirante, aprendemos que reconstruir um sistema não é só reescrever código. É entender, traduzir e reconstruir a lógica de negócio por trás dele, muitas vezes sem documentação, com dependências ocultas e pressão por manter o funcionamento.
Foi assim que chegamos à nossa solução: um sistema multiagente de modernização de legado, inspirado na inteligência distribuída que move os sistemas mais complexos existentes.

Na prática, adotamos o conceito de sistemas multiagentes (SMA), inspirado na literatura de inteligência artificial distribuída. Trata-se de uma rede de agentes autônomos que percebem, atuam e aprendem com o ambiente para atingir um objetivo comum, mesmo sem conhecer o sistema como um todo.
Cada agente, seja um modelo de linguagem ou uma regra programada, cumpre um papel. Juntos, operam de forma coordenada para reconstruir sistemas com mais eficiência, precisão e governança.
No nosso caso, distribuímos as funções de ponta a ponta da seguinte forma:
- Análise de legado com IA: modelos de linguagem analisam códigos antigos (como COBOL e Visual Basic), extraem regras de negócio e geram documentação – mesmo em sistemas com problemas de mapeamento.
- Geração de especificações e novos componentes: com base nas regras extraídas e objetivos do projeto, agentes produzem especificações e propõem novas arquiteturas.
- Tradução e refatoração de código: agentes criam código em linguagens modernas e refinam estruturas para legibilidade, performance e manutenibilidade.
- Execução e análise de testes automatizados: os testes são gerados, executados e avaliados sem intervenção manual, garantindo cobertura desde o início.
- Monitoramento estratégico e tomada de decisão humana: todas as etapas são supervisionadas por especialistas da Mirante, que guiam as decisões mais críticas e asseguram que a tecnologia esteja a serviço do negócio.

Projetos de reconstrução não seguem caminhos lineares. Requisitos mudam. Equipes se revezam. Prazos apertam. Um sistema centralizado, com decisões engessadas e fluxos sequenciais, costuma falhar diante dessa volatilidade.
A lógica dos sistemas multiagentes nos oferece outra saída:
- Descentralização: cada agente atua com autonomia, reduzindo gargalos e aumentando a resiliência.
- Visões locais: os agentes operam com conhecimento parcial do todo, exatamente como em grandes projetos de software.
- Auto-organização: o sistema é capaz de reconfigurar estratégias, realocar tarefas e adaptar-se a novos cenários sem paralisar a operação.
Mais do que uma referência acadêmica, essa abordagem já está sendo aplicada na prática em projetos da Mirante, com resultados concretos em tempo de entrega, consistência funcional e redução de retrabalho.

Por aqui, acreditamos que aplicar IA na engenharia de software exige método, controle e responsabilidade. Por isso, mesmo em um sistema distribuído, mantemos um agente central (o orquestrador de projeto) responsável por coordenar todas as interações, monitorar progresso, garantir rastreabilidade e alinhar decisões ao objetivo final.
Reconstruir sistemas legados exige mais do que boas ferramentas. Exige inteligência organizada: com times preparados, tecnologias integradas e processos que respeitam o passado enquanto constroem o futuro.