Como os bancos estão preparando a tecnologia para o próximo ciclo de crescimento – Pesquisa Febraban Tecnologia Bancária 2026
Mirante Tecnologia
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Está no ar um dos relatórios mais esperados do ano pelo segmento financeiro: A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026. E nessa edição os números mostram que a transformação digital das instituições financeiras alcançou um novo estágio.
O crescimento acumulado de 58% nos investimentos em tecnologia ao longo dos últimos cinco anos evidencia que a infraestrutura ganhou espaço definitivo na estratégia das instituições financeiras, acompanhando uma agenda cada vez mais orientada por eficiência operacional, inteligência artificial, modernização tecnológica e resiliência dos ambientes digitais.
Essa evolução acompanha um contexto de maior complexidade tecnológica. O volume de dados cresce continuamente, novas regulamentações ampliam as exigências sobre as operações, aplicações distribuídas tornam os ambientes mais sofisticados e a inteligência artificial começa a ocupar funções críticas do negócio. Nesse cenário, decisões sobre arquitetura, integração, engenharia de software e governança tecnológica influenciam diretamente a capacidade de inovação das organizações.
A pesquisa oferece uma leitura importante sobre o futuro do setor financeiro ao indicar as prioridades de investimento. Ela nos mostra que o setor bancário entrou em uma etapa em que a vantagem competitiva dependerá menos da adoção de novas tecnologias e mais da capacidade de operá-las em escala, com arquiteturas resilientes, dados confiáveis e engenharia preparada para evolução contínua.

O orçamento destinado à tecnologia pelos bancos vem crescendo de forma consistente nos últimos anos. Em 2021, o setor investia R$ 29,6 bilhões. Para 2026, a expectativa é que esse montante alcance R$ 50,4 bilhões, um crescimento acumulado de aproximadamente 70% no período.

Essa evolução demonstra que a tecnologia consolidou seu papel como uma capacidade estratégica para o setor financeiro, refletindo uma agenda de investimentos voltada ao fortalecimento das bases que sustentam a inovação. O avanço dos investimentos acompanha a necessidade de:
- Modernizar aplicações
- Ampliar ambientes em nuvem
- Fortalecer plataformas de dados
- Integrar sistemas
- Criar arquiteturas para suportar novos ciclos de inovação
Ao longo dos últimos cinco anos, investimentos e despesas avançaram continuamente, indicando uma estratégia de fortalecimento estrutural da capacidade tecnológica do setor financeiro.

Os bancos direcionam recursos para fortalecer as capacidades que sustentam a evolução contínua de seus ambientes tecnológicos. O crescimento dos investimentos em serviços especializados evidencia uma demanda crescente por engenharia, integração, desenvolvimento e operação de plataformas digitais, enquanto a expansão dos gastos com software reforça a consolidação de arquiteturas mais flexíveis e preparadas para incorporar inteligência artificial, automação e novos serviços digitais.
Essa distribuição do orçamento também indica uma mudança na forma como as instituições financeiras estruturam sua transformação tecnológica. A prioridade está concentrada na construção de plataformas capazes de evoluir continuamente, reduzir a complexidade operacional e acelerar a entrega de novas soluções, criando uma base preparada para responder às demandas regulatórias, ao avanço da inteligência artificial e às expectativas dos clientes.

As prioridades de investimento apresentadas pela pesquisa ajudam a entender como as instituições financeiras estão preparando sua infraestrutura para os próximos anos. Cibersegurança lidera a agenda, sendo considerada uma prioridade alta por 83% dos bancos. Em seguida aparecem Inteligência Artificial Generativa (68%), Cloud (60%) e Inteligência Artificial (60%), tecnologias que concentram os investimentos responsáveis por sustentar a próxima etapa da transformação digital.

Os dados revelam uma estratégia integrada. A expansão da inteligência artificial depende de ambientes em nuvem capazes de oferecer escalabilidade, disponibilidade e capacidade computacional, enquanto o aumento da digitalização amplia a necessidade de arquiteturas resilientes e de uma abordagem contínua para segurança da informação. O direcionamento dos investimentos mostra que essas iniciativas evoluem de forma complementar e estruturam a base tecnológica sobre a qual os bancos pretendem acelerar inovação e eficiência operacional.
Embora a IA Generativa figure entre as principais prioridades de investimento do setor, sua adoção em larga escala ainda acontece de forma gradual. Apenas 20% das instituições utilizam inteligência artificial em larga escala na experiência do cliente, sugerindo que grande parte do mercado ainda trabalha na consolidação da infraestrutura.
Os resultados mais consistentes aparecem nas operações internas. A utilização de inteligência artificial em processos de backoffice já proporciona ganhos médios de eficiência de 11,8%, demonstrando que as organizações estão concentrando esforços em iniciativas capazes de gerar produtividade, reduzir tempo operacional e automatizar atividades críticas antes de ampliar a presença da tecnologia nas jornadas dos clientes.
Essa combinação de indicadores mostra que a agenda tecnológica dos bancos em 2026 concentra-se na consolidação das capacidades necessárias para operar a inteligência artificial em escala. A velocidade dessa evolução dependerá diretamente da maturidade dos sistemas e da capacidade das organizações de transformar projetos de IA em soluções incorporadas ao dia a dia do negócio.

A prioridade atribuída à cibersegurança pelas instituições financeiras acompanha um cenário de crescente complexidade operacional. A expansão dos canais digitais, o aumento do volume de dados processados e a incorporação de modelos de inteligência artificial ampliam a superfície de ataque das organizações e exigem uma abordagem cada vez mais integrada entre tecnologia, processos e pessoas.
Nesse contexto, a própria IA passa a desempenhar um papel estratégico na proteção dos ambientes digitais. Segundo a Pesquisa Febraban, 77% dos bancos pretendem utilizar IA para análise preditiva de riscos cibernéticos e o mesmo percentual aponta a tecnologia como um recurso para detecção de ameaças e padrões anômalos. As aplicações também avançam em testes de intrusão e na automação das respostas a incidentes, demonstrando que a IA começa a ser incorporada em diferentes etapas das operações de segurança.
Esse movimento amplia o papel da IA, incorporando a tecnologia a funções críticas de resiliência operacional e continuidade dos negócios. As organizações investem em capacidades voltadas à antecipação de riscos, à redução do tempo de resposta e ao fortalecimento da resiliência operacional em um ambiente tecnológico cada vez mais distribuído.


Um indicador reforça a maturidade dessa agenda: 95% das instituições financeiras priorizam iniciativas de conscientização dos colaboradores em segurança da informação, reconhecendo que a eficácia das estratégias de cibersegurança também depende da preparação das equipes para lidar com riscos cada vez mais sofisticados.
Para CIOs e demais lideranças de tecnologia, esse cenário amplia a responsabilidade sobre a evolução da arquitetura corporativa. Modernizar sistemas críticos, integrar aplicações, fortalecer práticas de engenharia de software, estruturar plataformas de dados e preparar ambientes para inteligência artificial fazem parte de uma mesma agenda estratégica. Cada decisão influencia a capacidade da organização de inovar, responder às mudanças regulatórias, incorporar novas tecnologias e manter operações resilientes em um ambiente cada vez mais complexo.
Os resultados apresentados pela Pesquisa Febraban mostram que os bancos já iniciaram esse movimento. A discussão que acompanha o setor agora concentra-se na velocidade com que essas capacidades serão consolidadas e no impacto que elas terão sobre eficiência operacional, inovação e competitividade. Nesse contexto, iniciativas de modernização tecnológica, engenharia de plataformas, cloud, integração de sistemas e governança tornam-se elementos centrais para transformar investimento em resultados sustentáveis.
Os investimentos continuarão crescendo, mas os diferenciais competitivos serão determinados pela capacidade de transformar infraestrutura em uma plataforma preparada para evoluir continuamente. Em um cenário marcado pela expansão da inteligência artificial, pela complexidade regulatória e pelo aumento das exigências de segurança, arquitetura, engenharia e integração tornam-se elementos centrais para acelerar inovação sem ampliar a complexidade operacional.

Na próxima edição da newsletter, daremos continuidade à nossa análise da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, explorando como Open Finance, Pix, mobile banking e a evolução do comportamento digital estão redefinindo a estratégia das instituições financeiras. Vamos discutir os desafios de transformar dados em inteligência de negócio e o papel da tecnologia na construção de experiências mais personalizadas e integradas. Se você estará na Febraban Tech, entre os dias 24 e 26 de agosto, vamos marcar um encontro? Nos envie uma mensagem!