Como o comportamento digital redefine a estratégia das instituições financeiras – Pesquisa Febraban Tecnologia Bancária 2026
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, principal levantamento sobre investimentos, prioridades e tendências tecnológicas do setor bancário brasileiro, mostra que a transformação digital das instituições financeiras alcançou um novo estágio. Depois de consolidar canais digitais e ampliar a…
Mirante Tecnologia
7 min de leitura
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, principal levantamento sobre investimentos, prioridades e tendências tecnológicas do setor bancário brasileiro, mostra que a transformação digital das instituições financeiras alcançou um novo estágio. Depois de consolidar canais digitais e ampliar a oferta de serviços financeiros online, os bancos passaram a operar em um ambiente caracterizado pelo compartilhamento de dados, pela predominância do mobile banking e pela consolidação de meios de pagamento instantâneos. Esse cenário amplia significativamente a capacidade de compreender o comportamento dos clientes e cria oportunidades para desenvolver produtos mais aderentes ao contexto de cada jornada.
Cada consentimento concedido no Open Finance, cada pagamento realizado via Pix e cada interação no aplicativo bancário produzem informações que podem apoiar decisões de negócio, acelerar processos, fortalecer modelos analíticos e ampliar o nível de personalização dos serviços financeiros. A capacidade de integrar, interpretar e utilizar esses dados tornou-se um dos principais fatores para impulsionar inovação e competitividade.

O Open Finance consolidou uma nova dinâmica para o relacionamento entre clientes e instituições financeiras. Esta edição da Pesquisa registra 102,8 milhões de consentimentos ativos e indica que 52% dos bancos esperam extrair alto valor dos dados compartilhados nos próximos anos (Fonte: Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026). Os números demonstram que o ecossistema entrou em uma fase de amadurecimento, na qual o compartilhamento de informações amplia as oportunidades para desenvolver produtos, evoluir serviços e alimentar modelos de inteligência artificial capazes de ampliar a personalização, acelerar análises e apoiar decisões de negócio.
O potencial dessa transformação está diretamente relacionado à competência de conectar dados provenientes de diferentes fontes e convertê-los em inteligência aplicada ao negócio. Visões integradas do cliente ampliam a qualidade das análises de crédito, fortalecem estratégias de prevenção à fraude, apoiam mecanismos de recomendação e fornecem uma base mais robusta para aplicações de inteligência artificial voltadas à tomada de decisão e à evolução da experiência do cliente. Ao mesmo tempo, esse cenário aumenta a complexidade da gestão dos dados, exigindo arquiteturas capazes de garantir interoperabilidade, qualidade da informação e governança em todo o ciclo de utilização.

A expectativa das instituições financeiras também revela onde esse valor deverá ser capturado. A evolução do Open Finance está associada principalmente ao fortalecimento da experiência do cliente, ao crescimento de receitas, ao aumento da eficiência operacional e ao aprimoramento das estratégias de prevenção a riscos e fraudes, indicando que o compartilhamento de dados amplia seu impacto sobre diferentes dimensões do negócio e de possibilidades para os clientes.

O comportamento dos consumidores reforça essa transformação. Segundo a Pesquisa Febraban, 76% dos clientes já são considerados heavy users dos canais digitais, enquanto o mobile banking responde por 63% das transações realizadas por pessoas jurídicas. A utilização contínua dos aplicativos bancários amplia o volume de interações entre clientes e instituições financeiras e cria um ambiente favorável para experiências digitais cada vez mais contextualizadas.

Essa dinâmica se fortalece com a consolidação do Pix como principal meio de pagamento digital. No último ano, as transações via Pix em pontos de venda (POS) cresceram 54%, enquanto as operações com cartão de crédito avançaram 8% e as realizadas com cartão de débito registraram retração de 4%. O resultado evidencia uma mudança consistente no comportamento de pagamento dos consumidores e amplia o volume de informações transacionais disponíveis para análise pelas instituições financeiras.
Outro indicador reforça o aumento do engajamento dos clientes com os canais digitais. As consultas de investimentos realizadas por dispositivos móveis cresceram 19%, evidenciando consumidores mais ativos na gestão de sua vida financeira e com expectativa de receber recomendações alinhadas ao seu perfil e aos seus objetivos. Os dados mostram que a evolução dos canais digitais amplia o desafio de transformar interações em experiências relevantes. A geração de valor depende da maturidade de analisar informações em tempo real, compreender o contexto de cada cliente e integrar diferentes jornadas dentro de uma mesma estratégia digital.

Essa mudança de comportamento ajuda a explicar por que 80% das instituições financeiras apontam a experiência do cliente como sua principal estratégia de diferenciação. Para responder a essa expectativa, 71% dos bancos priorizam a expansão das transações via chatbot, o uso de Inteligência Artificial Generativa no atendimento e a ampliação dos aplicativos de mensageria, iniciativas que aproximam os canais digitais das necessidades cotidianas dos clientes e ampliam a capacidade de oferecer experiências mais ágeis e personalizadas.
Por outro lado, a evolução desses canais amplia a responsabilidade das áreas de tecnologia na construção de experiências integradas. A capacidade de conectar dados, inteligência artificial e diferentes pontos de contato torna-se fundamental para reduzir fricções nas jornadas, acelerar a entrega de novos serviços e responder às expectativas de clientes que interagem com o banco de forma contínua.


Para CIOs e líderes de tecnologia, essa evolução amplia a responsabilidade sobre a arquitetura que sustenta o negócio. A integração entre sistemas, a qualidade dos dados, a governança das informações e a interoperabilidade entre plataformas tornam-se fatores determinantes para que áreas de produto, operações, atendimento e negócios utilizem os mesmos ativos de informação para tomar decisões mais rápidas e coordenadas. A capacidade de disponibilizar dados confiáveis em tempo real passa a influenciar diretamente a velocidade de lançamento de novos serviços, a personalização das jornadas e a eficiência operacional.
Esse cenário também amplia a necessidade de aproximar tecnologia e negócio. À medida que inteligência artificial, analytics e automação passam a consumir grandes volumes de dados, cresce a importância de plataformas capazes de distribuir essas informações com segurança, rastreabilidade e contexto. A geração de valor começa a envolver a maturidade de incorporar inteligência aos processos já existentes, reduzindo barreiras entre áreas e acelerando todo o ciclo de tomada de decisão.

A Pesquisa ainda mostra que o setor financeiro continuará ampliando o volume de dados gerados por clientes, produtos e canais digitais. O diferencial competitivo será determinado pela capacidade de transformar esse patrimônio informacional em decisões distribuídas por toda a organização, sustentadas por arquiteturas integradas, engenharia de software preparada para evolução contínua e plataformas capazes de conectar tecnologia, negócio e experiência do cliente.
A segunda edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 será apresentada durante a Febraban Tech, nos dias 24, 25 e 26 de agosto, ampliando a discussão sobre as tendências que devem orientar a evolução do setor financeiro nos próximos anos. A Mirante acompanhará o evento de perto para trazer uma análise dos principais anúncios e novidades.
Você estará na Febraban Tech? Se quiser conversar sobre os desafios de modernização, dados, inteligência artificial e inovação no setor financeiro, nos envie uma mensagem ou deixe um comentário nesta newsletter. Será um prazer nos encontrarmos durante o evento.