Maturidade digital transforma IA em diferencial competitivo
Um estudo recente da McKinsey & Company mostra como a tecnologia tem sido um fator central na geração de valor nas transformações digitais. O gráfico abaixo revela o percentual de impacto por setor, ou seja, quanto do valor gerado está diretamente associado ao uso estratégico de soluções digitais.
Mirante Tecnologia
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Os setores com maior percentual no gráfico não apenas investem mais em tecnologia, como também conseguem converter esses investimentos em resultados, ocupando posições de liderança econômica.
- Serviços Financeiros (71%): É o setor mais dependente da tecnologia na geração de valor. O avanço dos bancos digitais, o uso de IA na análise de risco, a automação de processos e o surgimento de novas plataformas financeiras são exemplos claros dessa tendência.
- Telecomunicações, Mídia e Tecnologia (70%): Em muitos casos, com forte presença digital nativa, esses setores vêm liderando inovações como 5G, streaming, publicidade digital e nuvem, que impulsionam diretamente seus resultados.
- Setor de Consumo (39%): Embora o setor tenha avançado em digitalização, especialmente no e-commerce, a presença de processos manuais e a fragmentação dos sistemas podem estar entre os fatores que limitam a dependência tecnológica da transformação, refletindo o índice mais baixo.
Esses dados reforçam que investir estrategicamente em tecnologia não é apenas necessário, mas essencial para sustentar o crescimento e a relevância das empresas líderes. Esse protagonismo dos setores mais digitalizados também aparece no ranking abaixo da Brand Finance, que destaca o domínio dessas áreas entre as marcas mais valiosas do Brasil em 2025.


Vale destacar que o impacto sustentável da tecnologia não nasce da adoção isolada de soluções, mas da maturidade com que são integradas ao negócio.
Apesar dessa diretriz, a realidade ainda está distante do ideal. Segundo a Gartner, mais de 400 CIOs de empresas de médio porte indicam que a IA segue sendo aplicada de forma fragmentada, com ganhos localizados e pouca conexão com a estratégia central.
Mesmo presente em atividades como atendimento ao cliente, síntese de conteúdo ou aceleração de respostas, a tecnologia ainda encontra barreiras como baixa escalabilidade, falta de rastreabilidade e incertezas sobre o ROI, de acordo com o Hype Cycle for Artificial Intelligence, 2024.
A AI Maturity and Roadmap, estrutura desenvolvida pela Gartner, descreve sete dimensões fundamentais para que a IA evolua de testes isolados para uma transformação de fato: estratégia, valor, organização, cultura, governança, engenharia e dados.


Atingir a maturidade não exige uma revolução imediata, exige direção clara. O ponto de partida está em diagnosticar a infraestrutura atual, identificando gargalos em dados, integração e governança.
A partir daí, é fundamental construir uma estratégia orientada a valor, priorizando casos de uso com impacto comprovado. Tecnologias habilitadoras, como automação, engenharia de dados, APIs e agentes orquestradores, pavimentam esse caminho. E para garantir evolução contínua, é preciso medir, aprender e ajustar. Afinal, IA sem métrica é só custo.
Nesse sentido, para que a IA entregue valor, a fundação tecnológica precisa estar sólida. Segundo a Gartner, fundamentos como data observability, engenharia de dados, analytics aumentada e governança são essenciais para que as empresas extraiam valor de suas iniciativas.
Sem essa base, a IA não aprende, não escala e não entrega resultados consistentes. Operações sustentáveis exigem dados auditáveis, arquiteturas seguras (como containers, edge ou nuvem distribuída), práticas robustas de engenharia (MLOps, design system) e governança desde o início, sempre com alinhamento entre negócio e tecnologia.
É sobre essa base que atuam os agentes autônomos, gerando decisões distribuídas com contexto e segurança.

Esses agentes atuam de ponta a ponta: conectam sistemas legados a novas aplicações, garantem rastreabilidade, automatizam documentação e aceleram decisões com precisão.

A corrida pela adoção de Inteligência Artificial está em curso, mas ainda são poucas as empresas que realmente capturam valor.
O que diferencia esses negócios não é apenas a tecnologia adotada, mas a maturidade com que ela é aplicada. Infraestrutura robusta, dados confiáveis, governança integrada e equipes preparadas para orquestrar soluções inteligentes com clareza de propósito são os pilares que sustentam esse avanço.
Essa combinação não garante apenas velocidade, mas direção, pois não se trata de sair na frente, mas de saber para onde ir, com consistência, mensuração e visão de longo prazo. A maturidade em IA é, mais do que uma vantagem competitiva, um pré-requisito para o futuro dos negócios.