IA com resultado, por que produtividade ainda é o grande desafio?
Apesar dos investimentos expressivos em inteligência artificial, menos de 10% dos líderes de TI relatam ganhos tangíveis em larga escala, segundo o relatório CIO Agenda 2024, da Gartner. Mas fica o questionamento: o que está travando o impacto real da IA nos negócios?
Mirante Tecnologia
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A resposta passa por maturidade organizacional, clareza de processos e governança tecnológica. Em outras palavras, não falta IA, falta integração inteligente.
Nesse cenário, produtividade deixa de ser apenas um indicador operacional e passa a representar a capacidade de transformar tecnologia em resultado concreto. Mais do que automatizar, trata-se de decidir com mais assertividade e impacto.
Integrada de forma transversal e estratégica, a inteligência artificial não apenas reduz custos, mas tem o potencial de reposicionar o negócio. Empresas que entendem essa lógica não estão apenas otimizando, estão desbloqueando novas formas de gerar valor e liderar seus mercados.

No contexto da IA, produtividade não se resume à substituição de tarefas humanas. Quando bem aplicada, a IA redistribui responsabilidades, simplifica fluxos e amplia a capacidade dos times.

Em um desses projetos, foi possível reduzir em 28% o tempo de um processo crítico, não por meio de modelos avançados, mas com engenharia de fluxo e sistemas multiagentes coordenados.
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025 revela que, embora haja ganhos de eficiência com IA e GenAI, a média geral de melhoria é de 11,4%, indicando que a otimização total do potencial tecnológico ainda é um desafio para parte do setor. O mesmo padrão se observa em setores como saúde e manufatura.
Apesar disso, o descompasso entre adoção e impacto permanece. Cerca de 47% das empresas obtiveram ganhos de produtividade abaixo de 20%, evidenciando que a maioria ainda luta para extrair valor consistente da tecnologia.

O verdadeiro potencial pode estar na reorganização do tempo das equipes: a IA assume tarefas operacionais enquanto os times humanos ganham espaço para pensar estrategicamente. Isso exige um redesenho completo de papéis, fluxos e indicadores.
Esse nível de maturidade não acontece de forma abrupta. Ele evolui por estágios, cada fase da adoção de IA impõe um novo foco organizacional e redefine os KPIs que realmente importam. A produtividade real não é automatizar tudo, mas focar no que amplifica as decisões. E isso está ligado a governança, reaproveitamento e visão de longo prazo.
Mais do que tecnologia sofisticada, o que gera resultado é a IA conectada a processos bem definidos e metas de negócio claras.

Romper o ciclo da experimentação improdutiva exige uma atuação mais estratégica por parte das lideranças técnicas. Três movimentos são essenciais nesse caminho:
- Posicionar a IA no centro da estratégia corporativa. Não como um projeto da TI, mas como uma alavanca de negócio. Apenas 9% dos líderes de tecnologia relatam ganhos tangíveis com IA em escala, segundo a Gartner, o que reforça a necessidade de metas claras e apoio da alta liderança.
- Redesenhar os fluxos operacionais. Gerar produtividade real com IA exige reconfigurar fluxos de decisão: definir o que permanece sob responsabilidade humana, o que pode ser delegado a sistemas inteligentes e onde estão os principais gargalos.
- Consolidar uma governança orientada a valor. No Brasil, muitos CIOs ainda enfrentam dificuldades para demonstrar ROI em projetos de IA, uma questão comum destacada por pesquisas de mercado. Por isso, é crucial trabalhar com métricas tangíveis, como tempo de ciclo, margem e velocidade de entrega.
O gráfico abaixo reforça a urgência dessa mudança de postura, logo que o uso da inteligência artificial nas organizações saltou de 20% em 2017 para 72% em 2024.
Apesar do avanço expressivo, esse crescimento nem sempre resulta em impacto real. Isso evidencia a tendência de uma adoção acelerada, porém ainda desconectada de estratégias bem definidas, integração entre áreas e foco em geração de valor, exatamente os pilares que os três movimentos anteriores buscam endereçar.


Aplicar IA com impacto real exige mais do que bons algoritmos. Depende de uma arquitetura organizacional capaz de orquestrar dados, processos e decisões.
“O verdadeiro ponto de virada acontece quando a IA deixa de ser um recurso periférico e passa a ocupar um papel central no fluxo de decisão das empresas. Isso exige um alinhamento profundo entre tecnologia, objetivos de negócio e governança de dados”, destaca Danilo Custódio.
Isso envolve mapear com precisão os pontos de decisão dentro dos fluxos, classificá-los com base em critérios de automação (frequência, variabilidade e impacto) e definir o nível de autonomia que cada sistema pode assumir.
Em projetos conduzidos com clientes enterprise, o uso de sistemas multiagentes combinando IA preditiva, regras de negócio e automações low-code tem se mostrado uma das formas mais eficientes de escalar a inteligência sem travar o legado.
Esse modelo permite dividir as decisões em camadas: um agente coleta dados, outro interpreta e um terceiro executa ou encaminha para validação humana. Quando bem desenhado, esse ecossistema reduz dependência de integrações pesadas, promove interoperabilidade e melhora significativamente os indicadores operacionais.