O futuro da TI é a modernização contínua
A transformação tecnológica acelerou a ponto de colocar uma nova pressão sobre a agenda dos CIOs, a de como manter a capacidade de acompanhar a evolução do negócio enquanto a própria TI precisa se transformar continuamente? A chegada da IA amplia essa complexidade ao acelerar ciclos de inovação, pressionar arquiteturas existentes e criar novas expectativas sobre a capacidade de gerar valor com tecnologia.
Mirante Tecnologia
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Os dados do Gartner, no estudo The CIO Report, ajudam a dimensionar esse desafio. 50% das TIs não conseguem acompanhar o ritmo das mudanças, enquanto 73% dos executivos consideram dinamismo e adaptabilidade essenciais para sustentar o crescimento da receita. Em um ambiente no qual novas tecnologias chegam em ciclos cada vez mais curtos, a capacidade de adaptação passa a influenciar diretamente a velocidade com que a organização consegue transformar oportunidades em resultados.
É nesse contexto que a modernização ganha uma dimensão estratégica. Atualizar aplicações, evoluir arquiteturas, incorporar IA e desenvolver novas capacidades para as equipes precisam fazer parte de um mesmo movimento, sustentado por um modelo operacional capaz de acompanhar as mudanças sem comprometer a continuidade do negócio.
O cenário atual e a necessidade de modernização
A agenda de modernização precisa conciliar velocidade de inovação e continuidade operacional. 48% das organizações já estão modernizando seus ambientes e 73% planejam aumentar os investimentos em modernização nos próximos dois anos. A GenAI acelera ainda mais esse movimento. O Gartner prevê redução de 30% nos custos de modernização de aplicações até 2028 e estima que 90% dos projetos de modernização utilizarão ferramentas aumentadas por IA até 2029, contra menos de 20% em 2026.
Nesse cenário, a estratégia precisa considerar a modernização em paralelo à operação existente. O relatório recomenda uma abordagem faseada, mantendo sistemas legados e novos ambientes operando simultaneamente durante a migração, com prioridade para os processos mais críticos.

Arquitetura futura, modelo operacional e pessoas
A arquitetura tecnológica precisa evoluir junto com o modelo operacional. O Gartner alerta que 50% das empresas poderão não obter valor mensurável de negócio com IA até 2028 devido a modelos operacionais de TI desatualizados, enquanto apenas 24% dos CIOs afirmam possuir modelos capazes de se adaptar de forma eficaz às necessidades do negócio.
A resposta passa por arquiteturas mais flexíveis e modulares, combinando diferentes modelos de cloud e Edge Computing para distribuir capacidades e aproximar decisões das unidades de negócio e da operação.
A transformação também depende da capacidade de preparar as pessoas. 51% dos CIOs apontam o gap de habilidades em IA como um dos principais desafios, enquanto 56% das empresas priorizam ampliar as capacidades dos colaboradores. Ao mesmo tempo, 85% dos líderes de TI planejam entregar serviços de negócio habilitados por IA nos próximos três anos.
É nesse contexto que ganha força o conceito de equipes centauro (centaur collaboration model), profissionais trabalhando em colaboração com IA, combinando capacidade de escala e automação com contexto, julgamento e tomada de decisão. O Gartner recomenda equipes de fusão (fusion teams), capacitação contínua e integração do desenvolvimento de habilidades ao próprio fluxo de trabalho.

O que muda para os líderes de TI
Para CIOs e líderes de tecnologia e inovação, essa transformação exige uma mudança na forma de conduzir a agenda de TI. A modernização precisa conectar arquitetura, IA, governança, modelo operacional e pessoas dentro de uma mesma estratégia, com decisões de tecnologia cada vez mais próximas das prioridades e dos resultados do negócio.
O Gartner recomenda alinhar o modelo operacional de TI ao valor que a organização pretende gerar, estabelecer estruturas capazes de responder às mudanças e acompanhar continuamente desempenho, resultados e retorno dos investimentos. Isso significa que a agenda do CIO precisa incorporar uma lógica de priorização contínua, tendo em mente quais capacidades devem receber investimento, quais tecnologias estão maduras para escalar, onde a modernização gera maior impacto e quais riscos precisam ser tratados antes que limitem a evolução.

Essa dinâmica exige ciclos recorrentes de revisão e decisão, nos quais estratégia, execução e acompanhamento dos resultados estejam conectados. A modernização passa, assim, a fazer parte da própria rotina de gestão da TI, com revisões periódicas das prioridades e ajustes conforme as necessidades do negócio e a evolução tecnológica.
Essa responsabilidade também amplia a colaboração entre TI e outras áreas executivas. O Gartner destaca a importância de uma atuação integrada entre CIO, CEO, COO, CFO, CISO, líderes de dados, operações e pessoas para conectar estratégia, resiliência, investimentos, segurança e capacidades organizacionais. Nesse modelo, tecnologia começa a fazer parte das decisões que definem como a empresa opera, cresce e responde às mudanças do ambiente.
A governança ganha um papel central nessa evolução. À medida que cloud, IA, edge e equipes multidisciplinares distribuem a capacidade de criar e implementar tecnologia, o CIO precisa definir com clareza quem decide, quais padrões devem ser preservados e quais controles precisam estar incorporados ao próprio fluxo de trabalho. O Gartner recomenda combinar comunidades de prática, participação das áreas de negócio e automação de controles para ampliar a capacidade de inovação sem comprometer segurança e coerência arquitetural.
O resultado é uma mudança importante no papel da liderança de tecnologia. O CIO passa a atuar cada vez mais como orquestrador de capacidades, conectando plataformas, arquitetura, fornecedores, dados, segurança e pessoas para criar uma TI capaz de evoluir continuamente. Essa visão é especialmente relevante em um cenário no qual o Gartner recomenda que a arquitetura empresarial acompanhe a velocidade da IA, utilizando ferramentas, pipelines e guardrails para acelerar decisões e preservar princípios arquiteturais.
A modernização, portanto, não termina quando um sistema é migrado ou uma nova ferramenta entra em produção. O verdadeiro avanço está em construir uma organização capaz de absorver novas tecnologias, tomar decisões com mais velocidade, governar sua adoção e transformar essas capacidades em resultados de negócio de forma recorrente.
Para os líderes de TI, o desafio da era da IA está em construir uma organização tecnológica capaz de evoluir continuamente diante de novas tecnologias, modelos de negócio e necessidades organizacionais.