Tecnologia como infraestrutura estratégica para o futuro de óleo e gás
A indústria de óleo e gás entra em um novo ciclo de transformação marcado por uma combinação particularmente relevante para os líderes de tecnologia: ganhos tradicionais de produtividade mais difíceis de capturar, pressão sobre custos, ativos envelhecidos, necessidade de maior eficiência operacional e uma aceleração significativa dos investimentos em inteligência artificial.
Mirante Tecnologia
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Nesse cenário, a transição digital ocupa uma posição diretamente relacionada à capacidade de produzir, manter ativos disponíveis, administrar riscos e tomar decisões com maior velocidade e precisão. Para os CIOs do setor, a questão central começa a ser sobre como conectar tecnologia, dados e operação para produzir impacto mensurável no negócio.
O cenário atual
A indústria norte-americana de óleo e gás chega a 2026 diante de uma desaceleração dos ganhos incrementais de produtividade. Grande parte dos avanços associados às tecnologias tradicionais de fraturamento hidráulico já foi capturada, enquanto a produção de petróleo por sonda em novos poços cresceu menos de 2% entre junho de 2024 e junho de 2025, segundo a Deloitte, 2026 Oil and Gas Industry Outlook. Ao mesmo tempo, o envelhecimento de ativos como plataformas, refinarias e gasodutos amplia a exposição a interrupções e aumenta a importância da disponibilidade operacional.
A estrutura de custos adiciona outra camada de complexidade. Segundo a Deloitte, tarifas sobre materiais e componentes podem elevar os custos de materiais e serviços ao longo da cadeia de valor em 4% a 40%, enquanto tarifas de 10% a 25% incidem sobre determinados insumos e as tarifas sobre aço e alumínio chegaram a 50%, incluindo produtos derivados como compressores e bombas. A indústria norte-americana utiliza aproximadamente US$ 10 bilhões em equipamentos e materiais de origem internacional por ano, o que torna a cadeia de suprimentos um componente relevante da gestão de custos e risco.
Essa pressão também está alterando decisões de portfólio. Quase 70% das empresas norte-americanas analisadas planejam reestruturar seus portfólios, otimizar custos e desinvestir em ativos não essenciais. O movimento envolve uma revisão mais ampla da alocação de capital e aumenta a necessidade de visibilidade sobre performance, risco e potencial de cada ativo.
É nesse contexto que a tecnologia participa diretamente da equação de produtividade. Quando os ganhos físicos se tornam mais difíceis de capturar, a capacidade de transformar dados operacionais em decisões e ações passa a ser um componente da própria estratégia de eficiência.

Segundo ano de reconhecimento pela Petrobras
A atuação da Mirante no setor de óleo e gás acaba de receber um reconhecimento importante. Pelo segundo ano consecutivo, a empresa foi premiada como Melhor Fornecedor de Tecnologia da Informação e Comunicação no Prêmio Melhores Fornecedores Petrobras, em sua nona edição.
A premiação avaliou o desempenho dos fornecedores entre julho de 2025 e junho de 2026, considerando critérios como prazo, gestão, qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS), aspectos Ambientais, Sociais e de Governança (ASG) e geração de valor. Para nós, esse reconhecimento reforça a importância de combinar profundidade tecnológica, governança e conhecimento do negócio para apoiar operações de alta complexidade.
O reconhecimento reforça a importância de combinar tecnologia, governança e conhecimento do negócio para gerar resultados concretos em operações de alta complexidade.

A virada tecnológica
A mudança mais significativa na agenda tecnológica do setor está na escala que inteligência artificial, GenAI, agentic AI e analytics começam a alcançar.
Atualmente, IA e GenAI representam menos de 20% dos investimentos em TI das empresas norte-americanas, mas a projeção é de que essa participação ultrapasse 50% até 2029. Aproximadamente metade dos investimentos em IA e GenAI no setor é direcionada à otimização de processos, incluindo aplicações capazes de ajustar parâmetros de perfuração e taxas de produção em tempo real.

A partir de 2026, a expectativa apresentada pelo estudo é que tecnologias e processos como GenAI, agentic AI e analytics em tempo real avancem dos experimentos para implementações em escala corporativa, construindo capacidades orientadas à operação.
Esse movimento muda a discussão para as equipes de tecnologia porque a adoção de IA em ambientes industriais não depende apenas da qualidade do modelo. Ela exige uma arquitetura capaz de conectar dados de diferentes fontes, sistemas corporativos, ambientes operacionais, sensores, equipamentos e processos de negócio.
O próprio ecossistema de tecnologia reforça essa direção. A IDC aponta que o desafio da GenAI está em conectar fontes de dados, governança, processos e objetivos de negócio para gerar valor efetivo, enquanto soluções empresariais precisam cada vez mais orquestrar dados provenientes de diferentes ambientes.
Para o setor de óleo e gás, essa arquitetura tem uma característica adicional. Ela precisa funcionar em ambientes nos quais disponibilidade, segurança e continuidade operacional são requisitos estruturais. Isso significa que modernizar dados e aplicações, integrar sistemas legados e criar novas camadas de inteligência não são iniciativas independentes; fazem parte de uma mesma agenda de transformação.
A pergunta estratégica, portanto, é “quais decisões operacionais podem ser continuamente aprimoradas por dados, modelos analíticos e automação?”.
Onde a transformação começa a gerar impacto
A melhor maneira de avaliar a maturidade dessa transformação é observar o que acontece quando a tecnologia para de produzir apenas informação e começa também a interferir diretamente na operação.
No upstream, algoritmos preditivos aplicados a processos já evitaram mais de 140 horas de downtime e protegeram 1,6% de uptime, gerando economia mensurável em despesas operacionais para uma empresa do setor. Na gestão de ativos, a combinação entre manutenção prescritiva e self-healing, robótica, drones e sensores “zero-touch” amplia essa capacidade de antecipação.

Esses indicadores mostram uma mudança importante na forma de medir o retorno da tecnologia, o resultado está cada vez mais associado à capacidade de interferir sobre indicadores que sustentam o negócio, como disponibilidade, falhas, manutenção, produtividade e custos. Essa lógica se estende à cadeia de suprimentos, com IA e digital twins apoiando a gestão do ciclo de vida dos contratos, a previsão e o gerenciamento de riscos relacionados a custos e performance, enquanto plataformas baseadas em IA, treinamento aumentado e conectividade via satélite ampliam as capacidades da força de trabalho em operações remotas. 66% dos trabalhadores do setor estão em funções mecanicamente intensivas.
Na dimensão ambiental, sensores, drones e analytics também podem apoiar a identificação de vazamentos e a geração de informações para processos regulatórios. O ponto em comum entre essas aplicações é a integração onde dados conectados aos processos, sistemas e ativos podem transformar informação em decisão e ação, fazendo com que a arquitetura tecnológica passe a desempenhar um papel cada vez mais relevante na capacidade operacional da empresa.
E no Brasil? Uma grande indústria em transformação
A realidade brasileira de óleo e gás tem características próprias e exige que a agenda de aceleração digital seja analisada a partir da estrutura e dos desafios locais. O setor tem papel estratégico na economia, com capacidade relevante de atração de investimentos, geração de empregos e arrecadação pública. Segundo cálculos da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), União, estados e municípios arrecadaram R$ 100 bilhões em royalties e participações especiais em 2025 e devem arrecadar R$ 102,4 bilhões em 2026 e R$ 102,6 bilhões em 2027, evidenciando a dimensão econômica da indústria e sua relevância para as contas públicas.
Ao mesmo tempo, o Brasil construiu mecanismos próprios para estimular a inovação tecnológica no setor. A Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) determina que empresas operadoras invistam 1% da receita bruta em projetos de inovação. Segundo o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), esse mecanismo já mobilizou mais de R$ 34 bilhões em investimentos em PD&I ao longo de 27 anos, fomentando soluções digitais, automação avançada e aplicações de inteligência artificial. A tecnologia, portanto, já faz parte da agenda de investimento e desenvolvimento da indústria brasileira, avançando da exploração e produção para áreas como refino, logística e comercialização.
O próximo desafio está em transformar esse investimento tecnológico em escala e resultado de negócio. O IBP destaca que a IA já é utilizada para análise de grandes volumes de dados, eficiência operacional, redução de riscos e apoio à tomada de decisão, mas aponta que a capacidade de gerar valor depende de fatores que vão além da tecnologia, como qualidade dos dados, definição de problemas de negócio, estratégia e qualificação dos profissionais.
Onde a Mirante atua em óleo e gás
É justamente nessa interseção entre tecnologia e operação que a experiência da Mirante se posiciona. Trabalhamos considerando a complexidade da cadeia de valor e a necessidade de conectar diferentes ambientes tecnológicos e operacionais. Nossa atuação contempla operações industriais, gestão de ativos, logística, dados e sistemas, segurança e governança, com o objetivo de integrar informações e processos para apoiar decisões mais rápidas, ampliar a confiabilidade e dar maior visibilidade à operação.
Essa abordagem parte da premissa de que não existe aceleração digital relevante para ambientes críticos sem compreensão da realidade do negócio. Por isso, nosso trabalho combina engenharia de software, conhecimento de negócio e experiência em transição digital para construir soluções alinhadas aos desafios específicos de cada operação.
Na prática, isso significa trabalhar com soluções digitais sob medida, utilizando tecnologias como IA, integração de sistemas e modernização de aplicações para responder a desafios concretos. Em iniciativas de inovação, podemos materializar hipóteses por meio de protótipos funcionais e ciclos rápidos de experimentação, permitindo validar a aplicação da tecnologia antes de avançar para uma implementação mais ampla.
A modernização também precisa considerar o legado. Em operações industriais, como o de óleo e gás, sistemas existentes carregam regras de negócio, dados históricos e processos essenciais para a continuidade da operação. Integrar e evoluir esse ambiente, preservando o conhecimento acumulado e criando novas capacidades digitais, faz parte de uma transformação que precisa acontecer de forma estruturada.
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