Você não pode automatizar o que não entende e é por isso que observabilidade importa
Mirante Tecnologia
6 min de leitura
Em contextos distribuídos, a ausência de visibilidade técnica não compromete a operação, colocando em risco o desempenho estratégico do negócio.
Imagine, por exemplo, um banco digital que, sem observabilidade, teria dificuldades para identificar rapidamente a origem de uma falha que impede transações Pix durante um pico de uso, gerando prejuízos e insatisfação.
Ou um e-commerce de médio porte que, sem essa visibilidade, sofreria com lentidão em pagamentos durante uma grande promoção, perdendo vendas cruciais.
Automatizar processos sem entender seu comportamento sob carga, sem visibilidade sobre fluxos interdependentes ou sem rastreabilidade de ponta a ponta, significa acelerar o que pode estar mal dimensionado, mal priorizado ou simplesmente errado. É nesse ponto que a observabilidade se torna uma peça-chave, como um fator de governança, eficiência operacional e resposta estratégica.
Empresas com maior maturidade em observabilidade não apenas reagem melhor a incidentes: elas antecipam gargalos, escalam com segurança e tomam decisões com base em sinais, não em suposições.
Se a sua organização já iniciou a jornada da automação, da nuvem ou da arquitetura modular, a pergunta agora não é “se” observabilidade importa, mas
quão rápido você precisa torná-la uma base estruturante para não comprometer as próximas entregas. Vamos falar mais sobre isso?

O report Emerging Trends in Observability 2025, conduzido pelo Elastic Observability Labs, traz um dado relevante: 96% das organizações que já adotam a prática pretendem manter ou ampliar seus investimentos em observabilidade no próximo ano.
Mesmo diante de barreiras como orçamento limitado, altos custos de manutenção e dificuldade em mensurar o ROI, a maioria das empresas segue priorizando a observabilidade, reconhecendo seu papel como alavanca estratégica para geraração de valor.

No entanto, a implementação da observabilidade enfrenta desafios que vão além do financeiro. Muitas vezes, a resistência cultural à transparência, a fragmentação de equipes (Dev, Ops, Segurança), a falta de talentos com as habilidades necessárias em dados e automação, e a complexidade de integrar ferramentas legadas são gargalos maiores que a própria tecnologia.
O dado reforça que o verdadeiro obstáculo não está nos sistemas em si, mas na habilidade de estruturar sua implementação com eficiência, escalabilidade e boas práticas de governança.

A observabilidade vai além da coleta de métricas e logs. Sua principal função é gerar contexto e com isso, permitir que decisões técnicas e estratégicas se baseiem em sinais confiáveis, não em suposições.
Organizações com maior maturidade na prática, ou seja, que já contam com processos, ferramentas e times bem integrados, apresentam ganhos consistentes.
No report conduzido pelo Elastic Observability Labs, essas empresas, classificadas como “expert”, relataram:
- 71% de redução no tempo médio de resolução de incidentes (MTTR)
- 58% de otimização da infraestrutura em nuvem
- 62% de melhora na conformidade com SLAs

Para um CIO, a observabilidade traduz-se em resultados que vão além da eficiência técnica. Ela oferece insights para monitorar métricas de negócio cruciais como a otimização do custo por transação em ambientes de nuvem, a garantia de conformidade regulatória e a aceleração do tempo de lançamento de novos recursos, o famoso, time-to-market, transformando dados operacionais em uma ferramenta estratégica de gestão.
Esse impacto não se restringe ao topo da curva. O estudo também mostra que organizações em estágio intermediário já colhem resultados expressivos em agilidade, produtividade e controle de custos, superando com folga aquelas que ainda estão no início da jornada.
À medida que a prática se consolida, os benefícios se tornam cada vez mais tangíveis. Prova disso é que 82% das empresas expert relatam redução efetiva de custos operacionais, frente a 56% entre as iniciantes, como conclui o report.

Com o avanço da inteligência artificial generativa, a observabilidade entra em uma nova fase, mais autônoma, preditiva e centrada em contexto.
A expectativa é alta: segundo o Emerging Trends, 94% dos respondentes reconhecem o potencial da IA para transformar a área. Entre as funcionalidades mais priorizadas, estão:
- Correlação automatizada de logs, métricas e traces (72%)
- Análise de causa raiz (62%)
- Modelos baseados em machine learning (58%)
- Assistentes com IA generativa (49%)
- Onboarding automatizado com suporte de IA (46%)
Apesar do otimismo, o avanço da IA nesse campo ainda exige cautela. Entre as principais preocupações estão:
- riscos à privacidade no uso de dados internos (61%),
- possibilidade de respostas imprecisas ou enganosas (55%),
- e a falta de preparo técnico para uma implementação segura (54%).
Ainda assim, o estudo aponta uma tendência clara de adoção, especialmente entre organizações que já contam com processos sólidos de rastreabilidade e segurança com arquitetura modular.
Esse cenário reforça que a adoção de IA na observabilidade se torna sustentável quando apoiada por estrutura, governança e fundamentos bem definidos.

Embora muitos associem os desafios da observabilidade à tecnologia, a pesquisa mostra que os principais entraves à sua maturidade vão além disso. Na maioria dos casos, o que limita a evolução da prática é a falta de integração entre processos, equipes e ferramentas.
A ausência de uma estratégia unificada, somada à fragmentação de dados e à dificuldade de mensurar impacto, enfraquece a percepção de valor e reduz seu potencial transformador.
Nesse cenário, as lideranças técnicas têm um papel decisivo: garantir que a prática deixe de ser vista como suporte operacional e passe a ocupar seu lugar como base para decisões estratégicas. Quando bem aplicada, a observabilidade evita achismos, antecipa falhas, gera insights confiáveis e transforma dados operacionais em vantagem competitiva.
Se sua organização busca automatizar com responsabilidade, escalar com segurança e tomar decisões com precisão, o ponto de partida é a visibilidade.
Para quem está em uma jornada de modernização de legado, a observabilidade é, inclusive, um passo fundamental para garantir que as novas arquiteturas e sistemas sejam construídos sobre uma base sólida de compreensão e controle.
Você sabe qual é o gargalo invisível que está atrasando sua próxima entrega? Talvez, a observabilidade é a chave para desvendá-lo.