O futuro da IA será construído por ecossistemas
Mirante Tecnologia
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Durante os últimos dois anos, organizações de praticamente todos os setores iniciaram provas de conceito, testaram modelos generativos e aceleraram iniciativas para compreender o potencial da tecnologia. Essa fase cumpriu seu papel ao reduzir barreiras de adoção e ampliar o entendimento sobre as possibilidades da IA. O debate, entretanto, mudou de patamar.
O estudo PwC Global Investor Survey 2025 mostra que os investidores deixaram de avaliar empresas pela capacidade de experimentar novas tecnologias e passaram a observar a capacidade de transformar inovação em crescimento sustentável, eficiência operacional e vantagem competitiva. A expectativa agora está na forma como ela é integrada à estratégia corporativa, escalada para toda a organização e sustentada por modelos consistentes de governança.


A adoção da inteligência artificial já não representa um diferencial competitivo por si só. O mercado passou a avaliar a capacidade das organizações de incorporar a tecnologia aos processos centrais do negócio e produzir ganhos mensuráveis.
Os dados da PwC mostram que 86% dos investidores afirmam que as empresas em que investem já obtiveram ganhos de produtividade decorrentes da IA generativa ao longo do último ano. Ao mesmo tempo, as prioridades para geração de valor estão claramente estabelecidas já que 64% apontam redução de custos e 42% identificam oportunidades na criação de novos modelos de negócios. Esses números demonstram que a expectativa do mercado passou a estar relacionada à capacidade de execução.

Nesse contexto, escalar IA significa algo mais complexo do que ampliar o número de aplicações. Significa integrar dados, redesenhar processos, estabelecer indicadores de desempenho e criar mecanismos que permitam reproduzir resultados de forma consistente entre diferentes áreas da organização. Essa é uma discussão sobre arquitetura empresarial, e não apenas sobre algoritmos.

À medida que a inteligência artificial avança para processos críticos do negócio, cresce também a complexidade necessária para sustentá-la. Escalar IA envolve integrar arquitetura, dados, engenharia, segurança, governança e gestão da mudança em uma estratégia capaz de produzir resultados consistentes ao longo do tempo. Essa combinação de competências dificilmente evolui na mesma velocidade dentro de uma única organização.
Essa realidade ajuda a explicar uma das principais conclusões do PwC Global Investor Survey 2025: os investidores esperam que as empresas ampliem sua capacidade de execução por meio de ecossistemas de inovação. Segundo o estudo, 70% acreditam que as organizações aumentarão seus investimentos em alianças estratégicas nos próximos três anos, enquanto 80% projetam um crescimento das joint ventures e de outros modelos de colaboração em relação ao triênio anterior. O objetivo dessas iniciativas não está restrito ao compartilhamento de capacidades técnicas, mas à aceleração do time-to-value, ao acesso a competências complementares e à construção de vantagens competitivas que dificilmente seriam alcançadas de forma isolada.

Nesse contexto, o papel dos parceiros tecnológicos também evolui. O mercado passa a demandar organizações capazes de participar da formulação das decisões, compartilhar conhecimento de negócio, estruturar modelos de governança e apoiar a construção de capacidades permanentes para inovação. Mais do que executar projetos, esses parceiros contribuem para reduzir a distância entre estratégia e implementação, transformando iniciativas de IA em programas sustentáveis de transformação.
É nesse cenário que a cocriação ganha relevância como modelo de trabalho. Ao reunir especialistas de negócio, arquitetura, engenharia e inovação desde as primeiras etapas da jornada, ela reduz ciclos de validação, fortalece decisões arquiteturais, distribui responsabilidades e cria as condições necessárias para escalar tecnologia com maior previsibilidade. Em um ambiente em que investidores associam geração de valor à capacidade de execução, construir soluções em conjunto deixa de ser uma escolha metodológica e passa a representar uma estratégia para acelerar resultados com consistência.

Foi a partir dessa lógica que cocriamos uma plataforma baseada em IA para apoiar recomendações de investimento. A solução combina dados, regras de negócio e produtos financeiros para gerar recomendações personalizadas em poucos segundos, apoiando o especialista ao longo da jornada consultiva.
A plataforma permite simular múltiplos cenários, comparar alternativas e construir recomendações alinhadas aos objetivos de cada cliente. A solução também incorpora guardrails para garantir governança e conformidade, além de uma arquitetura preparada para evolução contínua.
O resultado é uma aplicação de IA estruturada a partir das necessidades do negócio, combinando personalização, velocidade de decisão, governança e capacidade de evolução.

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À medida que a IA ocupa processos críticos das organizações, cresce também a responsabilidade das lideranças de tecnologia sobre os mecanismos que sustentam essa transformação.

O relatório evidencia um ponto de atenção importante onde apenas 37% dos investidores consideram satisfatória a divulgação das estratégias e políticas relacionadas à IA, enquanto 34% demonstram confiança na transparência sobre governança dessa tecnologia. Essa percepção revela uma lacuna entre o ritmo da adoção tecnológica e a maturidade dos modelos de gestão que a sustentam.
Para CIOs e executivos de tecnologia, essa passa a ser uma agenda estratégica. Escalar IA exige estabelecer critérios claros para validação de modelos, controles de risco, mecanismos de monitoramento contínuo, políticas de qualidade de dados e indicadores que conectem diretamente iniciativas tecnológicas aos resultados do negócio. A governança passa a funcionar como infraestrutura para crescimento.
Nesse contexto, parceiros tecnológicos deixam de contribuir apenas com desenvolvimento de soluções. Seu papel passa a incluir a construção de guard rails para IA, definição de métricas que relacionem produtividade, margens e geração de receita às iniciativas implementadas, além da consolidação de arquiteturas seguras e modelos disciplinados de gestão da mudança.
Essa combinação entre capacidade técnica, governança e colaboração é o que permite transformar projetos de IA em ativos estratégicos, capazes de gerar resultados repetíveis e fortalecer a confiança de investidores, conselhos e lideranças executivas. O mercado já demonstrou que pretende continuar financiando inovação. O diferencial competitivo passa a estar na capacidade das organizações de demonstrar que sabem escalar tecnologia com disciplina, transparência e uma estratégia construída em conjunto.