O novo ciclo da tecnologia começa pelo legado
Mirante Tecnologia
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- Agentes de IA: sistemas autônomos capazes de executar tarefas e tomar decisões com base em objetivos e contexto
- Dados sintéticos: informações geradas artificialmente para treinar modelos sem depender de bases reais
- Modelos de linguagem: estruturas de IA treinadas para compreender e gerar texto com alto grau de precisão
- Arquiteturas distribuídas: infraestruturas que processam dados e aplicações de forma descentralizada e escalável
Essa convergência cria uma base tecnológica inédita, na qual sistemas deixam de apenas responder a comandos para agir proativamente, redefinindo processos, cadeias de valor e a dinâmica competitiva.
O superciclo não representa apenas uma nova onda de inovação, mas um reposicionamento estrutural com impacto direto sobre valor de mercado e vantagem competitiva, como mostra o gráfico:

A expectativa é que essa transição reestruture cadeias de valor inteiras. Até 2028, a adoção de agentes de IA em aplicações corporativas deve saltar de menos de 1% para 33%, com 15% das organizações utilizando agentes para decisões operacionais autônomas, segundo a pesquisa Intelligent Agents in AI Really Can Work Alone, do próprio Gartner.
Mais do que um avanço técnico, esse salto representa a transição de sistemas reativos para soluções autoexecutáveis, capazes de tomar decisões com base em contexto, objetivos e aprendizado contínuo.
A própria experiência do usuário se transforma, em vez de solicitar respostas, ele passa a delegar ações completas a sistemas com autonomia operacional.
Mas esse futuro não será acessível a todas as empresas. As que ainda operam com arquiteturas legadas, pouco rastreáveis e sem interoperabilidade podem não conseguir acompanhar a velocidade da mudança.

Apesar dos investimentos crescentes, muitas empresas seguem presas a arquiteturas que não dialogam com o novo ciclo tecnológico.
Segundo a McKinsey, 71% do valor gerado por transformações digitais em serviços financeiros vem do uso intensivo de tecnologia, número que cai para 39% em setores onde o legado ainda impõe barreiras estruturais. E o problema vai além do código, envolve:
- Baixa rastreabilidade
- Dados fragmentados
- Dificuldade de integração
- Governança limitada.
Esse cenário impacta diretamente a produtividade. De acordo com o CIO Agenda 2024, menos de 10% dos líderes de TI relatam ganhos tangíveis em produtividade com IA em escala, um número que revela a dificuldade de transformar potencial em ação.
Um estudo da Elastic Observability Labs reforça esse ponto: embora 94% das organizações reconheçam o potencial da IA para melhorar a governança de sistemas, a maioria ainda esbarra em barreiras operacionais, como a falta de integração entre processos, equipes e ferramentas. Esses obstáculos dificultam respostas rápidas e comprometem a percepção de valor gerado pela tecnologia.
É fato que a inteligência artificial está sendo adotada, mas muitas vezes sem o alicerce necessário para gerar impacto. Falta uma infraestrutura conectada, interoperável e rastreável, capaz de transformar dados e fluxos operacionais em decisões inteligentes com valor mensurável para o negócio.

Reconstruir sistemas legados exige compreender a lógica de negócio original, adaptando aplicações a uma nova realidade técnica sem comprometer a operação.
Em muitos projetos, esse desafio tem sido superado com o uso de sistemas multiagentes de IA, que viabilizam etapas como análise de código, extração de regras, documentação, refatoração e testes de forma coordenada e segura. Essa solução reduz o retrabalho, aumenta a previsibilidade e gera ganhos técnicos consistentes mesmo em ambientes mais rígidos.
Em linguagens como COBOL, Visual Basic ou Delphi, por exemplo, os agentes são capazes de identificar trechos redundantes, propor modularização e sugerir modelos-alvo compatíveis com plataformas modernas como e stacks baseadas em microsserviços.
Essa distribuição da carga de análise reduz gargalos manuais e permite ciclos iterativos com feedback técnico contínuo, tornando possível escalar modernizações com mais controle e menos retrabalho.

Essa abordagem distribuída não apenas acelera o processo de reconstrução, como também prepara a base para aplicações mais avançadas.
Ao modernizar com foco em interoperabilidade, muitas organizações têm conseguido integrar agentes autônomos a fluxos críticos, como análise de risco ou atendimento digital, com o apoio de modelos de linguagem (LLMs), dados sintéticos e arquiteturas multicloud.
Essa capacidade de orquestrar agentes e dados de forma segura e auditável é o que permite evoluir de um modelo reativo para um sistema autoexecutável. E também o que diferencia quem está pronto para escalar inteligência com autonomia de quem ainda depende de integrações rígidas e silos legados.
Na prática, isso significa transformar o legado em uma base tecnicamente sólida e estrategicamente preparada para o novo núcleo computacional orientado por IA.

Para aqueles que desejam se posicionar como protagonistas, o ponto de partida pode estar em entender se sua infraestrutura atual está pronta para sustentar autonomia, dados sintéticos, interoperabilidade e lógica distribuída.
Por onde começar? Um bom primeiro passo é realizar um diagnóstico do legado com foco em interoperabilidade e rastreabilidade.
Essa análise exige entender a maturidade da arquitetura existente, diagnosticar gargalos estruturais, mapear o potencial de integração com modelos de IA e definir critérios claros para adoção de agentes autônomos. Sem esse nível de rastreabilidade, as decisões correm o risco de serem isoladas, pouco sustentáveis e desconectadas dos objetivos de negócio
O superciclo da inteligência já está em curso. E os protagonistas serão aqueles que conseguirem evoluir com método, governança e visão estratégica.
Afinal, decisões que moldam o futuro não podem mais depender de estruturas herdadas. Elas exigem arquiteturas intencionalmente preparadas para o que vem pela frente.