ROI em projetos de TI: por que medir só custo é um erro estratégico
Resumo: O ROI em projetos de TI deve considerar não apenas custos e retorno financeiro, mas também produtividade, redução de riscos, escalabilidade e capacidade de evolução tecnológica. Falhas no monitoramento, custos de manutenção, sistemas legados e dívida técnica podem comprometer os resultados. Neste artigo, a Mirante analisa esses fatores e apresenta um case de modernização de sistema legado com ROI estimado de 220% e economia estimada de aproximadamente 75% do tempo em relação ao desenvolvimento manual.
Em um cenário de orçamentos cada vez mais pressionados e demandas crescentes por eficiência, medir o retorno sobre investimento (ROI) deixou de ser uma boa prática e passou a ser uma exigência para projetos de TI. Ainda assim, muitas organizações continuam cometendo um erro recorrente que é avaliar o sucesso das iniciativas digitais apenas pelo custo inicial ou pela economia gerada na execução.
Esse olhar limitado ignora fatores que, na prática, definem o valor da tecnologia para o negócio, como ganho de produtividade, redução de risco operacional, aceleração do time-to-market e capacidade de evolução futura. Em ambientes corporativos complexos, custo é apenas uma parte da equação. ROI, quando bem avaliado, é uma métrica estratégica.
Esse desafio se torna ainda mais relevante à medida que os investimentos em tecnologia crescem. Segundo a Deloitte, a parcela da receita destinada a iniciativas digitais saltou de 7,5% em 2024 para 13,7% em 2025, com projeções de que esse percentual possa chegar a 32% até 2028. Esse movimento reforça que tecnologia deixou de ser um centro de custo isolado para se tornar um dos principais vetores de crescimento, o que exige critérios mais sofisticados para avaliar retorno e valor gerado.
Evolução dos investimentos em iniciativas digitais
Dados globais.
| Ano | Parcela da receita destinada a iniciativas digitais |
|---|---|
| 2024 | 7,5% |
| 2025 | 13,7% |
| 2028 (projeção) | 32% |
ROI em TI vai além da métrica financeira tradicional
ROI em TI não se resume à relação entre investimento e retorno financeiro direto. Ele envolve ganhos intangíveis, mas mensuráveis, que impactam diretamente a sustentabilidade da operação e a estratégia de longo prazo, como aumento da produtividade das equipes, redução de falhas operacionais e retrabalho, escalabilidade da operação, agilidade para responder a novas demandas do negócio e diminuição do risco tecnológico associado à dívida técnica.
Esse ponto se torna ainda mais crítico com a adoção de tecnologias emergentes. A mesma pesquisa da Deloitte aponta que 74% das organizações já investem em inteligência artificial e IA generativa, um percentual significativamente maior do que em outras frentes tecnológicas. Iniciativas desse tipo ampliam o potencial de ganho, mas também aumentam a complexidade na mensuração de ROI, tornando insuficiente qualquer análise baseada apenas em custo economizado.
Onde as empresas falham ao avaliar o ROI em TI
Mesmo com maior maturidade digital, algumas falhas continuam sendo comuns na avaliação de ROI em projetos de TI.
A primeira delas é a falta de monitoramento durante a execução. O ROI costuma ser definido no business case inicial, mas raramente acompanhado ao longo do projeto. Sem indicadores intermediários, desvios de escopo, prazo e custo passam despercebidos até se tornarem críticos.
Outro erro recorrente é ignorar o custo de manutenção e evolução. Projetos que “funcionam”, mas são difíceis de manter ou escalar, geram custos ocultos elevados ao longo do tempo. Quando esses fatores não entram na conta, a análise de retorno fica distorcida.
Por fim, muitas organizações não avaliam o ROI após a entrega. A ausência de uma análise pós-implementação impede o aprendizado organizacional e faz com que erros se repitam em iniciativas futuras, comprometendo a eficiência dos investimentos em tecnologia como um todo.
Custos estruturais que comprometem o ROI em TI
Sistemas legados continuam sendo um dos principais fatores de pressão sobre o ROI em TI. Além de consumirem recursos financeiros relevantes, eles limitam a capacidade de inovação e tornam a operação mais rígida, complexa e arriscada.
Estudos de mercado indicam que empresas de setores intensivos em tecnologia, como o financeiro, frequentemente destinam a maior parte do orçamento de TI à manutenção de sistemas existentes, deixando apenas uma fração para iniciativas de inovação, crescimento ou transformação digital. Esse desequilíbrio compromete diretamente a capacidade de gerar novo valor a partir da tecnologia.
Esse cenário também se reflete em desperdício estrutural. A pesquisa “IT Cost Optimization Survey 2025”, da SAP LeanIX, revela que 82% dos líderes de TI apontam que entre 10% e 20% do orçamento de TI é desperdiçado, enquanto 30% indicam que o desperdício ultrapassa 20% do orçamento total.
Fonte: SAP LeanIX – IT Cost Optimization Survey 2025.
O custo de manter sistemas legados também está relacionado à complexidade operacional e à dificuldade de evolução tecnológica.
Esse contexto acelera o crescimento da chamada dívida técnica, custos acumulados pelo uso contínuo de tecnologias desatualizadas que dificultam evoluções e a adoção de novas capacidades. Organizações que postergam decisões de modernização não eliminam esses custos, apenas os adiam. Com o tempo, cada nova mudança se torna mais lenta, mais cara e mais arriscada para a operação como um todo.
Esse cenário reforça a importância de avaliar quando vale a pena modernizar um sistema legado, considerando custos, riscos e capacidade de evolução da operação.
Case Mirante: modernização de sistema legado com foco em ROI
Um exemplo prático desse cenário foi um projeto conduzido pela Mirante para a modernização de um sistema crítico de controle de acesso e segurança.
Contexto do sistema
- Plataforma original em .NET Framework 4.5
- Mais de 135 mil linhas de código
- 423 arquivos no projeto
- Sistema crítico, com forte dependência de Active Directory e IIS
- Operação restrita a ambientes Windows Server
Desafio
Modernizar o sistema para .NET 9, reduzindo riscos técnicos, tempo de execução e custo total do projeto, sem comprometer a estabilidade da operação.
Abordagem
A Mirante estruturou um pipeline de modernização com apoio de LLMs, combinando automação, governança técnica e validação humana para garantir qualidade e previsibilidade.
Resultados
- 3 semanas de preparação do pipeline
- 7 dias de execução efetiva
- Redução de 170 para 0 erros críticos
- ROI estimado: 220%
- Economia estimada de ~75% do tempo em relação ao desenvolvimento manual
Mais do que reduzir custos, o projeto entregou previsibilidade, mitigação de risco e uma base tecnológica preparada para evoluir.
Veja também: modernização de sistemas legados com IA e como iniciar um projeto de modernização de sistemas.
ROI em TI é uma decisão estratégica, não apenas financeira
Avaliar ROI em projetos de TI exige uma mudança de mentalidade. Não se trata apenas de cortar custos, mas de proteger a operação, garantir capacidade de evolução, aumentar eficiência no médio e longo prazo e sustentar a estratégia de negócio.
Empresas que tratam tecnologia como investimento estratégico tomam decisões mais consistentes, reduzem riscos estruturais e ampliam sua vantagem competitiva em um cenário cada vez mais digital.
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Na Mirante, ajudamos empresas a ir além do custo e entender o valor estratégico da tecnologia, combinando engenharia, governança e visão de negócio.
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