O Caminho das Certificações em Teste de Software
Não é de hoje que observamos a demanda do mercado por profissionais certificados em Teste e Qualidade de Software. Essa demanda ocorre, pois as empresas sabem que apesar da certificação não garantir a experiência prática real, ela garante que o profissional conhece (pelo menos em teoria) os conceitos, princípios, técnicas, atividades, processos, e vários outros itens inclusos na nossa querida e ampla área de Testes.
A viabilidade ou não de tirar uma certificação, é definida pelo contexto e objetivo de cada um, e temos que ter sempre em mente que conhecimento e leitura nunca é demais.
Então, para aqueles que desejam se certificar na área de Teste e Qualidade de Software, eis que tenho aqui algumas dicas sobre quais caminhos trilhar:
Como pontapé inicial, a certificação que recomendo é a CTFL (Certified Tester, Foundation Level). Ela está no primeiro nível das certificações do ISTQB (Lembrando que são 3 níveis, sendo estes: Foundation, Advanced e Expert), e é bastante visada. O material dá uma boa noção para quem está no início da carreira de Teste de Software sobre a amplitude, a organização, os processos, atividades, técnicas, princípios e até mesmo aspectos éticos relacionados a área. É um material bastante enriquecedor e que abre muito a visão de quem está começando (E até mesmo de quem já é experiente na área, pois alguns conceitos podem não estar bem definidos para alguns profissionais). Sobre o nível de dificuldade da prova, muita gente teme realizá-la, porém digo que: Dedicando algumas horas de estudo por dia durante um mês/um mês e meio, consegue-se tirá-la de letra. Nosso grande colega Júlio de Lima escreveu um post com várias dicas para a galera que quer se dar bem na prova da CTFL. Além das recomendações citadas no post, recomendo fortemente a resolução de simulados da prova que são facilmente encontrados na internet.
Logo após obter a CTFL, recomendo a certificação CTFL-AT, que é uma certificação que também está no nível Foundation, porém se trata de uma extensão da CTFL (A CTFL é pré-requisito para a CTFL-AT) e é voltada aos princípios que regem as metodologias Ágeis. O conteúdo de preparação explica os conceitos e técnicas envolvidas nos Testes Ágeis, como as atividades de Teste se integram com as de Desenvolvimento , quais são as funções/papéis do Tester nesse contexto, quais são as principais diferenças entre os testes em um ambiente Tradicional x Ágil, e muito mais. Recomendo fortemente essa certificação, pois o mercado hoje em dia, volta-se cada vez mais para o Ágil, e o conteúdo presente no material preparatório para a CTFL-AT é muito rico em informações não somente sobre Testes Ágeis especificamente, mas sobre as metodologias ágeis em geral. Para uma boa preparação, como material complementar, recomendo a leitura do livro “Scrum: A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo”, do co-criador do Scrum Jeff Sutherland, que é um livro relativamente curto e que passa detalhes mais minuciosos sobre alguns conceitos abordados no Syllabus. Além de, claro, a leitura do Syllabus, e a realização de simulados.
Após a obtenção da CTFL e CTFL-AT, caso queira seguir as vertentes de um Analista de Testes a nível Avançado (Ou “Mais Sênior”), a certificação a ser escolhida é a CTAL-TA. Essa certificação aborda os assuntos importantes e que todo Analista de Teste de nível Avançado deve dominar para garantir que as técnicas de teste serão aplicadas da maneira mais correta possível. O conteúdo contempla, dentre outros itens: O detalhamento das técnicas de teste (Funcionais e Não Funcionais), informações sobre a cobertura que cada técnica oferece, atividades que o Analista de Teste deve executar em cada fase do processo de teste, informações de suporte que o mesmo deve fornecer ao Test Manager e como ele pode coletar essas informações, informações sobre a forma de participação do mesmo no processo de identificação, análise e mitigação de riscos, técnicas de gestão de defeitos e técnicas de seleção e utilização correta de Ferramentas de Teste em determinados contextos. Além disso, são citadas várias normas que atualmente são tomadas como padrões mundiais na área de teste, qualidade e desenvolvimento de software, como a IEEE-829 (Padrão para documentação de Testes), IEEE-1044 (Padrão para classificação de Anomalias de Software), IEEE-1028 (Padrão para revisões de software), e a BS 7925–2 (Padrão que cobre várias técnicas de teste, suas coberturas e algumas métricas sobre cada técnica). Essa certificação abre muitas portas no mercado, além de tornar o profissional mais seguro sobre como executar as técnicas de teste da maneira correta, qual será a cobertura de cada técnica, e sobre como ele irá retirar informações relevantes para o contexto do teste após os testes serem finalizados. O nível de dificuldade dessa prova é intermediário, e como material de estudos, recomendo o Syllabus e simulados. Para fazer a prova da CTAL-TA, o candidato deve ter a certificação CTFL e estar qualificado para os exames de nível avançado(O que pode ser feito através do pagamento de uma taxa de R$80,00 e da comprovação de experiência de 2 anos na área de teste e qualidade de software)
E se após a obtenção da CTFL e CTFL-AT (Ou até mesmo da CTAL-TA), eu quiser seguir a vertente de Gestão de Testes? Se esse for o caso, a certificação a ser escolhida é a CTAL-TM. O material de preparação aborda várias áreas de conhecimento dentro de um processo de Teste de Software que um Test Manager deve dominar para garantir que o processo funcione da maneira correta (Ou pelo menos, da melhor possível). Ao decorrer do material, dentre outras informações, são descritas: As atividades do Test Manager dentro de cada fase do processo de teste, as atividades relacionadas ao gerenciamento de Teste, os critérios para adoção de estratégias de Teste baseados em risco, estratégias para priorização e alocação do esforço de teste, técnicas e informações a respeito dos documentos e produtos de trabalho a serem gerados no processo de teste, técnicas para estimativa e métricas de teste, técnicas para participação, condução e definição de revisões dentro do processo, técnicas de gerenciamento de defeitos, técnicas de aprimoramento do processo de teste, técnicas de seleção de ferramenta de testes, além de informações que ajudam o Test Manager a gerenciar aspectos interpessoais da equipe. A dificuldade da prova da CTAL-TM é alta. Na prova são cobradas questões muito subjetivas, e a ambiguidade entre alternativas é encontrada o tempo todo. Além disso, apesar de alguns simulados para a realização dessa prova existirem, não vi nenhum que continha qualquer questão parecida com as que cairam na prova. Para os estudos, recomendo a leitura do Syllabus e de suas referências, das normas já contempladas pelo material da CTAL-TA, além de estudos intensos sobre os modelos de melhoria de processo de Teste (STEP, TPI, TMM, CTP, etc). Para fazer a prova da CTAL-TM, o candidato também deve estar qualificado para os exames de nível avançado e ter feito a CTFL.
E finalmente caso você queira seguir uma carreira mais voltada para o papel de Analista de Teste Técnico após a obtenção da CTFL, CTFL-AT, CTAL-TA ou CTAL-TM, a CTAL-TTA é a escolha certa para você. O material de preparação aborda as principais atividades e técnicas que esse profissional irá executar de acordo com cada contexto apresentado. Dentre outras informações, são descritas: As tarefas do analista de teste técnico em cada fase do processo de definição dos testes baseados em risco, técnicas de teste baseadas em estrutura (Cobertura de sentença, desvio, etc), técnicas de teste analíticas (Análise estática e dinâmica), características de qualidade a serem abordadas pelos analistas de teste técnicos (Segurança, Desempenho, Confiabilidade, Etc), além de questões gerais sobre o planejamento de testes para essas características, papel do profissional no processo de revisões, e de aspectos de interação do mesmo com as ferramentas de teste, e processos de automação de testes. Poucas pessoas realizam essa prova, e o nível de dificuldade da mesma é alto. Da mesma forma que a CTAL-TM, poucos simulados úteis foram encontrados para a realização dessa prova. Para os estudos, recomendo a leitura do Syllabus e a realização de simulados. Além disso, a prova requer um background mínimo em programação/desenvolvimento de software, e ter um bom raciocínio lógico, pois caíram alguns trechos de código para serem analisados (Cobertura de caminho, desvio, sentença, decisão, etc…) na prova.
Tendo todas as certificações do ISTQB em mãos, você é considerado um profissional CTAL FULL. E saiba que tirando qualquer uma delas, você irá ganhar, além do conhecimento, um alto prestígio.
E para finalizar, quero salientar que novas certificações do BSTQB, além das mais tradicionais aqui citadas, já foram lançadas (Security Tester, Model Based Tester, Test Automation Engineer) com conteúdos que estão abordando temas mais atuais e relevantes do mercado, e com isso reforçando a minha ideia de que sempre temos que estar ajustando nossos pontos de vista, atualizando nossos conhecimentos, e nos mantendo sempre antenados com o mercado.
É isso aí pessoal! Até o próximo post!