A FEBRABAN TECH 2025 confirmou o que já vínhamos observando nas entrelinhas do setor: inteligência artificial, interoperabilidade e dados não estão mais à margem das decisões, são o centro da nova arquitetura financeira.
O evento da última semana somou 58 mil visitas, representantes de 28 países, mais de 500 palestrantes e 219 painéis. Durante três dias, as discussões não giraram em torno de tendências. O foco foi em execução em escala, segurança em ambientes regulados e maturidade digital real.
A Mirante Tecnologia acompanhou de perto os principais debates e organizou, em um report proprietário e gratuito, os sinais mais relevantes da transformação em curso com dados, visões estratégicas e insights exclusivos. Boa leitura!

Em 2025, o orçamento bancário em tecnologia alcançará R$ 47,8 bilhões. A maior parte será destinada a software, com R$ 7,6 bilhões em investimentos, seguida por hardware, com R$ 4,1 bilhões. Essa composição revela uma prioridade: fortalecer a infraestrutura, integrar sistemas e preparar a arquitetura para lidar com o crescimento exponencial de dados.

Os aportes em inteligência artificial, analytics e big data devem atingir R$ 1,8 bilhão, alta de 61% em relação ao ano anterior. Já a migração para cloud deve somar R$ 2,4 bilhões, com avanço de 30%, sendo a nuvem privada o principal destino.
Esses números revelam um novo ciclo de modernização. A tecnologia deixa de ser suporte para se tornar um eixo de decisão, moldando produtos, operações e a experiência entregue.
“Estamos no início da maior realocação de capital da nossa geração. Este capital não está apenas buscando otimizações incrementais; ele está financiando a substituição de modelos de negócio. Negócios, esses, fundamentados em bases da IA generativa e sistemas multiagentes. Ouso posicionar que no real futuro (não tão distante) deixaremos de vender produtos estáticos para oferecer ecossistemas vivos, podendo criar uma solução perfeitamente contextualizada para cada indivíduo, a cada instante.” — Caio Melo, Head de Inovação da Mirante Tecnologia

Em 2025, os aportes em IA, analytics e big data devem alcançar R$ 1,8 bilhão, alta de 61% em relação a 2024. Mas o que marca o setor é o avanço da IA em produção, com ganhos mensuráveis de eficiência, personalização e governança. A presença da IA generativa saltou de 59% para 82% entre os bancos em apenas um ano. Já a média de eficiência nos processos bancários subiu de 7,3% para 11,4%. Em paralelo, 38% das instituições passaram a operar com ganhos superiores a 20% após a adoção da tecnologia.

É interessante entender que a IA passou a integrar a arquitetura crítica das instituições. Não se limita mais ao atendimento ou ao suporte. Está presente na criação de produtos, na automação de riscos e no desenho de experiências, sempre com foco em segurança e interoperabilidade.
O Banco do Brasil destacou o uso de GenAI não apenas no atendimento, mas em toda a esteira operacional, com o desenvolvimento do INGPT, modelo interno criado para suportar a personalização em escala.
No Itaú, a criação de um instituto dedicado à aplicação prática da IA foi descrita como uma resposta à maturidade alcançada nos últimos anos. Segundo a instituição, o ciclo da experimentação está encerrado. Agora, o foco está em garantir experiências consistentes, sustentáveis e seguras ao cliente final, com a tecnologia como meio e a confiança como objetivo.
Vale ressaltar que governança acompanha o avanço. 50% dos bancos ainda estão desenvolvendo seu modelo de gestão de GenAI, enquanto 35% já possuem estratégias formais. A maioria das decisões ainda acontece de forma híbrida, envolvendo áreas como TI (15%), negócios (25%) e inovação (5%).

O debate sobre pessoas no FEBRABAN TECH 2025 foi sobre escala. Os números mostram o tamanho do desafio: até o fim de 2025, o setor bancário precisará formar mais de 57 mil profissionais de TI. O investimento em segurança cibernética cresceu 80%, e em treinamento técnico geral, 12%, segundo a Pesquisa da própria FEBRABAN.

Mas o principal movimento está na reconfiguração estrutural: 75% das empresas afirmam que vão mudar sua estratégia de talentos nos próximos dois anos. O foco não está apenas em novas contratações, mas na reordenação da lógica de performance.
Entre as prioridades, estão o redesenho dos processos para operar com GenAI (48%), a implantação de estratégias de upskilling e reskilling (47%), e programas para medir engajamento e confiança (36%).
Em um setor historicamente técnico, o que ganha ainda mais valor agora são perfis capazes de integrar disciplinas. Gente que entende a arquitetura, navega em ambiguidade, responde com velocidade e toma decisões com base em dados. O talento certo não é aquele que sabe tudo. É quem sabe operar em rede, com fluência transversal e discernimento estratégico.

A transformação dos canais bancários é resultado direto da maturidade digital do setor. A combinação entre inteligência artificial e profissionais especializados está por trás da experiência fluida que o cliente encontra na ponta. Enquanto a tecnologia opera em segundo plano, assegurando velocidade e precisão, as equipes desenham jornadas, ajustam fluxos e garantem que a inovação se traduza em uso real.
Esse alinhamento se reflete nos números. Em 2024, o volume total de transações bancárias chegou a 208,2 bilhões, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior.

Quem também teve destaque foi o uso do Pix, que ganhou escala e regularidade. Em 2024, o crescimento foi puxado por transações entre pessoas físicas, que representam a maior parte dos perfis heavy users no sistema. Os dados mostram um crescimento expressivo na base de usuários recorrentes, que passou de 47,3 milhões em 2023 para 65,4 milhões em 2024, um avanço de 38%. Também houve aumento no uso por empresas, ainda que em ritmo mais gradual. Esse movimento reforça o papel do Pix como um recurso incorporado ao dia a dia dos clientes, tanto para pagamentos quanto para recebimentos.

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Perguntas frequentes (FAQ)
1. Qual foi o principal recado da FEBRABAN TECH 2025?
O evento consolidou que inteligência artificial, interoperabilidade e dados não são mais tendências emergentes, mas elementos centrais da arquitetura financeira moderna, guiando decisões, produtos e operações nos bancos.
2. Como os bancos estão usando IA na prática?
A IA está integrada a toda a esteira operacional:
- Atendimento com GenAI;
- Criação e personalização de produtos;
- Automação de riscos;
- Otimização de processos com ganhos superiores a 20% em 38% das instituições.
3. O que muda em relação à força de trabalho no setor financeiro?
Há uma reconfiguração estrutural em curso. Os bancos vão formar mais de 57 mil profissionais de TI até o fim de 2025 e 75% das empresas planejam mudar sua estratégia de talentos, com foco em reskilling, upskilling e fluência transversal.
4. Quais os destaques em transformação digital e canais bancários?
A experiência do cliente foi otimizada com IA operando nos bastidores e profissionais especializados desenhando fluxos. O volume de transações chegou a 208,2 bilhões em 2024, e o Pix teve crescimento expressivo, com 65,4 milhões de usuários ativos, alta de 38%.




