A maturidade em Inteligência Artificial não depende apenas da tecnologia, mas da forma como líderes técnicos reposicionam times, estratégias e estruturas. Durante o CIO Emerging Tech Summit 2024, realizado pela Distrito, especialistas e executivos compartilharam como IA generativa, governança e novos modelos operacionais estão redefinindo o papel da TI nas organizações.
A seguir, reunimos os principais aprendizados do evento.
Como os IA Workers estão mudando o papel da automação?
A IA generativa está deixando de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar um novo tipo de colaborador digital: os IA Workers. Segundo Gustavo Araujo (Distrito) e Dionisio Agourakis (JAI), esses agentes são capazes de executar tarefas, memorizar dados, aprender com o contexto e até simular emoções.
A diferença em relação a RPAs tradicionais é clara: IA Workers aprendem, adaptam-se e interagem com múltiplos sistemas. Eles têm autonomia operacional e, para funcionarem com eficiência, devem ser integrados a ferramentas corporativas, receber onboarding e serem atribuídos a contas próprias de sistema.
“O Worker existe apesar de você. Ele trabalha, não te ajuda a trabalhar.” — Dionisio Agourakis
Esse novo paradigma aponta para uma orquestração de agentes que vai muito além da automação de tarefas repetitivas.
Quais são os impactos reais da IA na produtividade das empresas?
Casos apresentados por empresas como Vivo e Total Express mostram que a adoção estratégica de IA já está gerando resultados mensuráveis em redução de custos, eficiência operacional e satisfação do cliente.
Na Vivo, a IA já é aplicada tanto no B2B quanto no B2C, com indicadores de performance, acurácia e ROI acompanhados de perto. Já na Total Express, mesmo sem uma área formal dedicada à IA, a equipe de dados estruturou uma plataforma baseada em IA generativa que transformou o processo de roteirização, com impacto positivo no SLA, custos e sustentabilidade.
A fala de Juliano Conti (CIO da Total Express) reforça a importância da liderança humana nesse novo cenário:
“A inteligência humana é muito mais que processamento de informações. […] a capacidade de entender contexto e nuances sociais ainda é exclusiva do ser humano.”
Como CIOs podem implementar segurança e governança em projetos de IA?
Por fim, um dos temas mais aguardados, a segurança ligada IA. Atualmente está tramitando no governo o projeto de lei (PL) 2.338/2023, que regulamenta o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial no Brasil. Seguindo os moldes do modelo europeu, o PL se propõe a criar um ambiente mais seguro, ético e inovador para o desenvolvimento de tecnologias de IA no país.
Paulo Campos – Founder e CTO Think AI e Ricardo Santana – Leader na KPMG trouxeram pontos importantes da regulamentação e da necessidades das empresas terem maior governança quanto a seus dados. Para além do risco de vazamento, afirmam sobre a importância da verificação da fonte dos dados, de quais informações podem ser compartilhas com terceiros que estão desenvolvendo a IA e o constante treinamento das ferramentas, dado que a IA tem a capacidade de sair do controle.
Para os executivos, iniciativas como definição de politica e treinamento para IA podem mudar a relação com a novidade, além disso, institucionalizar o acesso ao mesmo e capacitar o time vigente faz com que a relação seja mais produtiva e de sucesso.
Como CIOs podem implementar segurança e governança em projetos de IA?
Com a tramitação do PL 2.338/2023, que visa regulamentar o uso de IA no Brasil, a atenção à governança e segurança de dados se torna ainda mais crítica. Durante o painel final, especialistas como Paulo Campos (Think AI) e Ricardo Santana (KPMG) destacaram medidas essenciais:
- Definir políticas claras para uso de IA
- Verificar fontes de dados e restrições legais de compartilhamento
- Treinar os times para atuar de forma ética e segura com IA
- Garantir que a IA opere dentro de limites controláveis (guardrails)
A adoção segura da IA começa pela institucionalização do acesso, pelo reforço à cultura de dados confiáveis e pela capacitação contínua das equipes envolvidas.
Três pilares para CIOs que lideram com IA
- IA como colaborador, não só como ferramenta
IA Workers precisam ser integrados como entidades operacionais com autonomia e contexto. - Liderança adaptativa para contextos híbridos
Equipes humanas e agentes precisam de diretrizes, métricas e visão compartilhada. - Governança antes da escala
Segurança de dados, regulamentação e ética devem vir antes da massificação do uso da IA.
FAQ sobre IA e liderança técnica
Como IA Workers diferem de RPA?
Enquanto RPAs executam tarefas repetitivas, IA Workers aprendem, decidem e interagem com base em contexto e objetivos.
Como garantir segurança ao escalar IA na empresa?
É fundamental definir políticas de uso, restringir fontes de dados, treinar times e monitorar continuamente a operação da IA.
A IA pode substituir líderes ou especialistas?
Não. A IA amplia a capacidade de decisão, mas habilidades humanas como intuição, empatia e julgamento social continuam insubstituíveis.




